domingo, 21 de fevereiro de 2016

«DEPOIS DE, cair» por Bruno Schiappa

TERMINA AMANHÃ e vale muito a pena.
 

O Homem em 90 minutos [DEPOIS DE, cair]
Fotografia© Moises Romero Coleto

DEPOIS DE, cair a partir de Amos Oz. Criação (Cenografia, Figurinos, Desenho de Luz): Tiafgo Bôto e Wagner Borges. Interpretação: Inês Lago, Tiago Bôto e Wagner Borges. Paisagem Sonora, Operação de Luz e Som: Rodrigo Bôto. Apoios: Teatro da Garagem, Teatro Estúdio Fontenova. Teatro Taborda, 11 de fevereiro 2016
Inspirado no texto Contra o Fanatismo, de Amos Oz, o espetáculo em cena no Teatro Taborda até dia 21 de fevereiro apresenta uma visão, cruamente poética, do Homem na sua incursão histórico-religiosa.
Despido de preconceitos e sem impor qualquer escolha ou julgamento, é-nos apresentada uma galeria de situações que baralha, parte e dá alusões ao Génesis, a Cristo cruxificado, ao fanatismo, aos reality shows, ao assédio sexual, à sedução e à traição amorosa (entre outras reminiscências do contexto humano) cujo resultado é um magnífico “Inferno de Botticelli” reduzido a três personagens que conduzem a viagem por paisagens onde o grande referencial é o conceito ortega-y-gassetiano de cada um e a sua circunstância versus absolutismo.
Num formato próprio no qual podemos reconhecer influências do teatro gesto, do teatro físico e do teatro dança, Bôto e Borges conseguem manter-nos ligados ao espetáculo que conceberam com um ritmo cuidado, intenso e cativante, numa fusão equilibrada entre o sentido grave de algumas ideias e o olhar satírico sobre as mesmas.
O cenário é reduzido a elementos sinedoticos, que resultam de imediato na “visão” do todo que cada um simboliza. O guarda-roupa e o desenho de luz, bem como a sonoplastia, são eficazes no resultado estético.
Os três atores entregam-se ao espetáculo sem nunca desarmarem nem cederem a cansaços (o espetáculo tem um nível de energia física acima da média) e revelam uma segurança, solidez e carisma apenas possível num trabalho de grande coesão e cumplicidade que conseguimos percecionar durante todo os 90 minutos que se desenrolam à nossa frente, com Wagner Borges a provar a sua enorme capacidade de ator exímio para passar de um registo grave a outro cómico sem qualquer salto e com enorme fluidez enquanto Inês Lago e Tiago Bôto nos prendem pela intensidade das suas performances.
Se, por um lado, somos impelidos no nosso quotidiano a olhar para tudo o que se passa no mundo com receio e insegurança, sem conseguirmos vislumbrar elementos nos acontecimentos que nos façam sorrir, por outro, vamos tendo estas “oferendas” irrecusáveis e que são um autêntico bálsamo para as nossas feridas.
A não perder, até dia 21 de fevereiro, no Teatro Taborda, em regime de acolhimento pelo Teatro da Garagem.
Bruno Schiappa, 12/02/2016

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

DEPOIS DE, cair por Moises Romero Coleto

"Parabéns para todo el elenco de Depois de, cair. He tenido la fortuna de ver cómo realizan su trabajo, de qué manera afianzan o modifican elementos de la forma que les parece más cercana a sus planes, siempre en busca de hallar la solución teatral más convincente. Tienen un sistema de trabajo riguroso para pulir y sistematizar con perseverancia un ingente caudal de conocimientos. DEPOIS DE, CAIR nos ayuda a discernir sobre el fanatismo, una de nuestras preocupaciones más profundas y sobre su complejidad y transformaciones dentro de nuestro contexto social.
A través de textos de alguno de los autores más importantes de nuestra cultura y otros propios van diseccionando las leyes interiores de esa suerte de super-pecado capital amplificado; y encuentran su origen psicológico en un estrechamiento del yo hasta la insignificancia y su suplantación emotiva exacerbada por ideas o fantasías compulsivas y sobrevaloradas, carentes de cualquier estructura unitaria. Me quedé prendado ya en el ensayo de los tres protagonistas: - el personaje de Inês Lago con su voz profunda y su mirada lánguida y estragada, mansa y mendaz que, con la fuerza de una Barbara Stanwyck, protagoniza un dúo musical tras el que queda clausurada cualquier discusión sobre cuál es el sexo fuerte. - el hermoso personaje de Tiago Cunha Bôto, por momentos con el carisma de Terence Stamp en Teorema de Pasolini; siempre un hombre moderno sin cualidades pero de buena pasta, que se mueve con un ritmo fluyente de una aspiración a otra y que hace su camino en esa estela de la duda con un refinamiento conmovedor y palpitante. - el de Wagner Borges , un corrupto desmedido e improbable, un decadente adorador del becerro de oro para el que todo horror está tarifado. Para mí siempre será el Harry Powell( Robert Mitchum) de The Night of the Hunter. EL TEATRO DE ESTOS CHICOS ES UNA ÉTICA, ES UNA ESTÉTICA, ES UN ARMA Y NO SE LO PUEDEN PERDER. 
 YO YA LO AVISÉ!!!!!"

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Tiago Bôto | Wagner Borges - DEPOIS DE, cair | Teatro Taborda de 11 a 21 de Fevereiro 2016



DEPOIS DE, cair
A partir de Amos Oz


Monstruosidade.
Afunilamento da identidade. Desbastamento. Contencioso.
Guerra. Sexo. Poder.
Cultura. Beleza. Política.
Dinheiro. Geografia. Religião.
Moda. Obesidade.
O jardim perdido.
Adão. Eva. O primeiro filho.
Vai doer como o diabo.
Exaltando figuras sem nome, muitas vezes exteriores no seu próprio pensamento, encontramos a palavra, encontramos o silêncio, encontramos a devastação nos corpos enigmáticos, distorcidos, ansiosos na urgência catastrófica de se provar que existem.
Conjuga-se a visão real contra uma forma de transgressão da própria realidade fanática?
Hoje, o nosso corpo, como contentor, como cadáver emocional, respira por uma necessidade de valorização constante, e acima de tudo, uma actualização enquanto moldura.
Somos a nossa conferência diária. Aquela que não hesita em morder a maçã da cultura pop.
«Depois de, cair» é um flirt, um engate à realidade sócio-cultural, político-filosófica, prece religiosa, sendo o mecanismo económico (o novo Deus) a justificação do desejo da teatralização da subjetividade – e a fatalidade que dela surge.
Inspirado no texto Contra o Fanatismo, de Amos Oz, desenvolve assim questões para 3 intérpretes e 1 músico: figuras distintas, individual e colectivamente, dialogando com a tendência contemporânea do discurso (i)lógico da sociedade destruidora.
Procura-se nesta linha atemporal, neste território de renascimento, o ponto de acção para estas não-vontades medirem o espaço e a força da sua sobrevivência, capacidade e dimensões, encerrando a morte, como prémio máximo do fanatismo.

Criação (Cenografia, Figurinos, Desenho de Luz) Tiago Bôto e Wagner Borges
Interpretação Inês Lago, Tiago Bôto e Wagner Borges
Paisagem Sonora e Operação Técnica Rodrigo Bôto
Apoios Teatro da Garagem, Fontenova - Teatro Estúdio de Setúbal

                                                                                                                  
Teatro Taborda | Lisboa
Rua da Costa do Castelo, 75
1100-78 Lisboa
11 a 21 de Fevereiro | 2016
4ª a Domingo | 21:30
Reservas e Marcações: 21 885 41 90 | 96 801 52 51

Para mais informações visite o nosso site:
http://tiagobotowagnerbor.wix.com/tiagobwagnerb

domingo, 24 de janeiro de 2016

«NÃO_CORPO» | Trailer do Espectáculo



«NÃO_CORPO», a partir de René Crevel
de Tiago Bôto e Wagner Borges

Interpretação Mia Farr, Tiago Bôto e Wagner Borges
Participação em Vídeo São José Correia
Design de Luz e Operação Alexandre Costa
Fotografia de Cena Pedro Soares e Mariana Dias
Apoios Escola de Mulheres - Oficina de Teatro; Teatro Praga; Comuna -Teatro de Pesquisa; Junta de Freguesia da Penha de França; Escola «o Botãozinho»
Agradecimentos Paula Cunha, Teresa Borges e Isabel Andrade

Estreia a 01.09.2015 no Fórum Municipal Luisa Todi | Setúbal

Inserido no Festival Internacional de Teatro de Setúbal
XVII FESTA DO TEATRO’15.