sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Durante toda a viagem de metro esteve atento ao homem que vinha sentado à sua frente. De ar simpático, óculos, barba rala, cabelo escuro a começar a ficar branco e mãos delicadas, lia de forma frenética, disparando o olhar para vários lados e por vezes para ele, um olhar de estranheza, até que voltava para o seu livro, mas apenas por poucos segundos, até fazer o olhar navegar outra vez, parando sempre nele. Ao fundo o homem cego tocava uma batida nas suas latas para tentar algum dinheiro. Faltava um dia para a passagem de ano. 

{apontamento 17.}
Ext. Dia. 
Inverno. Frio. 
A calma com que caminha pela rua é interrompida pela queda de gotas de chuva. Chuva fria, ar frio. Acelera o passo. Não tem guarda-chuva, ainda faltam alguns metros para chegar ao metro. Os óculos vão ficando cada vez mais molhados, não tem tempo para parar e os limpar, tem que continuar. A chuva é cada vez mais forte. Não tem tempo para se abrigar e esperar, tem que continuar, deve continuar. Subitamente começa a tocar Wild is The Wind por Nina Simone no mp3.
Sem pensar em mais nada fica apenas ali parado, no meio da rua, a ouvir. 
A chuva cai. 
A imagem dele de costas.
Corta para.

{apontamento 16.}

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017




Quando eu era pequenina sonhava com palhaços

Com: Tiago Bôto e Wagner Borges
Realização: São José Correia

{apontamento 15.}

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

À espera do silêncio para começar. Ainda existe um barulho lá ao fundo, não é ruidoso, mas é suficiente para marcar presença. À espera para começar. O que é que aconteceu primeiro? À espera de expelir todo o fumo do cigarro para começar. Primeiro aconteceu algo. Mas começar só depois do silêncio. Primeiro o silêncio. Primeiro tem que começar o silêncio, e depois começar. Instala-se agora a presença que fazia o ruído ao longe. Está aqui. O silêncio longe. A figura parada, de costas, virada para a parede branca com alguns quadros pendurados, instala-se depois de ouvir o som do telemóvel, vê o telemóvel, vê a mensagem, de costas, virada para a parede, diz uma única palavra, a palavra que diz é um objecto, um objecto gigante que nos permite viajar, não diz mais nada, avança para dentro, continua o ruído, acende a máquina de café, deita a borra usada para o lixo, enche novamente, tira um novo café, não diz nada, faz tudo em silêncio, apenas com um ruído lá ao fundo, mas suficientemente presente para ser, para penetrar outra existência. Existe apenas, entre estas duas existências, o ruído provocado pelas ondas vibratórias quando chocam contra a matéria. O som de passos dá entender que a figura que à pouco estava parada em frente à parede branca se desloca para um outro sítio mais longe, mas não longe o suficiente para que o ruído provocado pelas suas ondas vibratórias não deixe ainda assim de penetrar esta outra existência. 
Subitamente a porta que dá acesso à rua abriu e voltou-se a fechar, no que pareceu ser um movimento contínuo.
Começar. 

{apontamento 14.}      

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O corpo sentado não se consegue abstrair do pensamento. 
Se o olhar começa, o corpo terá que o seguir. Para seguir, o pensamento terá que ficar na cadeira da dor nas costas? O pensamento terá que seguir o corpo, que segue logo a seguir ao olhar que começa o pensamento. O pensamento já começou antes do olhar do corpo, no frio da cadeira das costas curvadas da dor. Começou antes. Antes do olhar que começa o corpo, antes do corpo que avança com o olhar. O corpo move o olhar no pensamento antes da dor nas costas curvadas da cadeira fria, de um início de dia frio. O chá preenche o tempo da acção do começo do olhar que o corpo move. O corpo move o pensamento para além do olhar. O olhar move-se, o chá acaba por arrefecer, o corpo levanta-se. 

{apontamento 13.}

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Manhã fria. 
O corpo sentado numa cadeira, as costas curvadas. Uma dor. 
A água para o chá começou a ferver. 
Chá quente na cadeira fria. Chá quente na dor das costas curvadas numa manhã fria. 
Um cigarro.
O olhar começa o dia. 

{apontamento 12.}

domingo, 8 de outubro de 2017

TOYBOAT 2.0 Teaser



Há um sonho partilhado por dois homens, dois anti-heróis, que procuram esquecer a memória. Há uma preocupação puritana.
E uma mulher. E o medo. A fuga ou a vontade de ficar.
Sabe-se que mesmo antes da queda, já se encontrou rendição.
Um jogo difícil. Ninguém possui regras.
Só consequências.
Eles recriam um universo próprio, um ambiente de mistério, uma armadilha onde nada é e tudo existe.
Melhor reinar no Inferno do que obedecer no Céu.

O espetáculo TOYBOAT surge, numa primeira versão, inserido na sequência do concurso QUATRO QUATROS – Mostra de Teatro de Curta Duração, em 2015, promovido pela Escola de Mulheres em parceria com a Delfos – Núcleo de Intervenção Cultural.
Em 2016, foi criada a versão 2.0., no Festival VAGA, promovido pela ACE e Teatro do Bolhão.

Criação e Interpretação
Tiago Bôto e Wagner Borges
Dramaturgia
Tiago Bôto e Wagner Borges, a partir de textos de vários autores
Participação em Vídeo
Filipa Leão
Fotografia de Cena
Ana Lopes Gomes
Apoio Técnico
Nuno Samora
Operação de Video, Som e Luz
Rodrigo Bôto
Participação na Instalação «I´m wainting for a boat»
Ana Palma | António Júlio | Bárbara Barradas | Bruno Huca
Bruno Schiappa | Carla Leal | Cláudia Galhós| Cucha Carvalheiro Elmano Sancho | Élvio Camacho | Érica Rodrigues | Fábio Vaz Fernando Pinto Amaral Filipa Leão | Francesco Mangiacasale
Isac Graça | Ivan Colarić | João de Brito | Josefa Doropio
Larisa Tovmasyan | Leonor Cabral | Mafalda Sampaio
Maria de Lurdes Doropio| Maria Inês Marques | Maria João Vicente
Maria Lolita Sousa | Nuno Margarido Lopes | Nuno Nolasco
Nuno Pinheiro | Paula Pinto | Raquel Viegas
Ricardo Campos Guerreiro | Rosana Lugojan | Rui Neto
Sara Carinhas | Susana Gomes | Vanda Cerejo

Agradecimentos
São José Correia, Josefa Lopes Dorropio, Reinaldo Bôto, António Júlio, Maria De Lurdes Dorropio, Teresa Borges, Ruy Malheiro e Mafalda Abreu.

Produção
Tiago Bôto | Wagner Borges
Apoio e Acolhimento
Teatro da Garagem

RESERVAS:
Telefone: +351 21 885 41 90
Telemóvel: +351 96 801 52 51
geral@teatrodagaragem.com

TOYBOAT 2.0 de Tiago Bôto e Wagner Borges