domingo, 31 de janeiro de 2010

Weekend in lisbon


D.D.A 8 Quando dizes desdizes e depois, para quê dizer? Se não disseres é pior? Não vou pensar em dizer, vou pensar em ouvir, vou dizer através do que ouço. Se nada digo? Que importa? Desde que estejas aí, estou contigo, sinto-me menos só, pelo menos.

N.E (nota de encenação) não sei quanto tempo demora o espectáculo. Se calhar não é importante. Não saber quanto tempo torna a eternidade igual a um instante. Para lá do tempo...

D.D.A 5: aqui não me interessa que desenvolvas o teu trabalho na cena a partir da noção de interioridade, à la Stanislavski, não faças de dentro para fora, faz de fora para dentro, e mostra-me o teu coração.

Nesta versão do Teatro da Garagem o espectador é convocado a velar e vaguear pelo teatro Taborda (o nosso respeito e amor pelo teatro Taborda é, em conclusão, profundo, mas não exclusivo, pelo que poderemos adaptar, ou melhor dizendo, amar e respeitar, outros teatros onde seja apresentada a nossa versão) plasmando-se assim a ampla totalidade sensorial do tecido envolvente que é Camino Real. Esta proposta quase táctil procura remeter, para uma ideia de brincadeira no quarto escuro, se a condição humana puder ser pensada assim, como uma brincadeira no quarto escuro. D:D:A 6: Um pouco à toa saboreemos meloa! Corpo da Arte do Actor, mais que eventual virtuosismo técnico do seu corpo e da sua voz, é o da pegada. Esta pegada que corresponde a passos de leitura, de interpretação, de ensaio, passos de si (da personalidade ou do património material do actor), acarreta menos uma ideia de impressão, que uma ideia de discurso - ou aura persuasiva benjaminiana aqui revista à luz, venerável, do Stalker de Terkovski, como anima performa. Estará Raskolnikov a ouvir-nos? E Deus?

De 20 Janeiro a 07 Fevereiro.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Aranha

Fernando Pessoa


A Aranha

A ARANHA do meu destino

Faz teias de eu não pensar.

Não soube o que era em menino,

Sou adulto sem o achar.

É que a teia, de espalhada

Apanhou-me o querer ir...

Sou uma vida baloiçada

Na consciência de existir.

A aranha da minha sorte

Faz teia de muro a muro...

Sou presa do meu suporte.

GLEE

And here i got emotional...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ana XXIII





"Embora não tivesse atingido o coração, o ferimento de Vronski fora perigoso. Durante alguns dias esteve entre a vida e a morte"(...)

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(...) "E, no entanto, logo que se encontrou fora de perigo, Vronski experimentou um sentimento de libertação. De certo modo, lavara-se da sua vergonha e da sua humilhação: de futuro podia pensar com calma em Alexis Alexandrovitch, reconhecer a sua grandeza de alma sem se sentir esmagado. Podia, além disso, olhar as pessoas de frente e retomar a sua existênci habitual, de acordo com os príncios que a dirigiam. O que não conseguia, apesar de todos os esforços, arrancar do coração, era a pena, vizinha do desespero, de ter perdido Ana para sempre. Agora que resgatara a sua falta para com Karenine, estava firmemente decidido a nã se colocar entre a esposa arrependida e o marido; mas podia ele fugir à lembrança de instantes de felicidade pouco apreciados então e cujo encanto o perseguia agora sem cessar?"(...)

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(...) "Tornar a vê-la uma vez ainda e depois enterrar-me, morrer!" (...)

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(...)" Ana preparara-se para o momento em que voltaria a vê-lo e pensara no que lhe diria, mas não teve tempo de falar: a paixão de Vronski arrebatou-a. (...)

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(...) "- Sim tu conquistaste-me, sou tua -" (...)

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(...) "- Tudo será esquecido. Vamos ser tão felizes! Se o nosso amor tivesse necessidade de aumentar, aumentaria porque tem qualquer coisa de terrível - disse ele" (...)

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(...) Não quero o divórcio, não o desejo. Pergunto a mim mesma, somente, o que ele decidirá em relação a Sérgio. O quê?, no primeiro momento de reaproximação de ambos, ela podia pensar no filho e no divórcio? Vronski não compreendia nada." (...)

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(...) - "Ah! Porque não estou eu morta? Teria sido muito melhor! - murmurou Ana. (...)

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(...) " Um mês mais tarde, Alexis Alexandrovitch ficava sozinho com o filho, enquanto Ana partia para o estrangeiro em companhia de Vronski depois de ter resolutamente renunciado ao divórcio."

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Fim da Quarta Parte.

Leo Tolstoi Ana Karenina

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ana XXII


"Stepane Arcadievitch entrou no gabinete do cunhado com o rosto solene com que pressidia às sessões do seu conselho." (...)

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" - Sim... Desejava... queria falar-te - respondeu Stepane Arcadievitch, surpreendido de se sentir cada vez mais intimidado." (...)

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(...) "Stepane Arcadievitch contemplou com espanto os olhos baços do cunhado fitos em si, recebeu o papel e leu.
"Vejo que a minha presença é peso para si; por mais penoso que me seja reconhecê-lo reconheco-o e sinto que não podia ser doutra maneira. Não lhe faço qualuqer censura. Deus é testemunha de que durante a sua doença resolvi firmemente esquecer o passado e começar uma nova vida. Não me arrependo, nunca me arrependerei do que fiz então. Mas era a sua salvação, a salvação da sua alma que eu desejava, e vejo que não consegui. Diga-me o que lhe restituirá a tranquilidade e a felicidade. Submeto-me de antemão ao sentimento de justiça que guiará a sua escolha"" (...)

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(...)" - Creio que não o sabe. Ela não é juiz na questão - (...) - Está esmagada, literalmente esmagada pela sua grandeza de alma. Se ler a tua carta, será incapaz de responder-lhe e só poderá curvar ainda mais a cabeça." (...)

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(...) - Pode-se conceber a felicidade de maneiras diferentes... Admitamos que eu consinto em tudo: como sairemos disto?
- Queres a minha opinião? - Disse Stepane Arcadievitch, com o mesmo sorriso que tivera para a irmã, e este sorriso era tão persuasivo que Karenine, cedendo à fraqueza que o invadia, se sentiu disposto a acreditar no cunhado. - Nunca ela dirá o que deseja, mas só uma coisa pode desejar: quebrar os laços que lhe lembram cruéis recordações. No meu entender é indispensável tornar as vossas relações mais claras, o que só se pode fazer desde que retomeis mútuamente a vossa liberdade.
- O divórcio! - interrompeu com repugnância Alexia Alenxandrovich.
- Sim, creio que o divórcio... sim, é isso, o divórcio -" (...)

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(...) Alexis Alenxandrovich quis responder, mas as lágrimas impediram-no.(...)

Leo Tolstoi Ana Karenina

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ana XXI





(...) "E, voltando ao salão, arrastou Oblonski para um canto.
- Verá que ele a fara morrer - murmurou num tom convicto. - É impossível resistir" (...)

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(...) "A infeliz emagrece a olhos vistos. Ele não compreende que ela é dessas mulheres que não brincam com os sentimentos. De duas, uma: ou a leva daqui e age energicamente, ou tem de divorciar-se." (...)

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(...) Diz-se - declarou ela de súbito - que certas mulheres amam até os vícios dos homens. Pois eu odeio nele a virtude! Não posso viver com ele: só de vê-lo fico fora de mim. Não, não posso mais, não posso mais viver com ele. Que devo fazer? Fui infeliz e acreditei que não pudesse sê-lo mais, mas isto excede tudo o que eu tinha podido imaginar. Acreditas que sabendo-o bom, perfeito, e sentindo toda a minha inferioridade, o odeio apesar disso? Sim, foi a sua generosidade que mo fez odiar. Só me resta..." (...)

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(...) "- Não, não, a corda pode ser afrouxada muito docemente. Não há situação que não tenha uma saída qualquer." (...)

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(...) "Por única resposta, Ana olhou-o com os seus olhos brilhantes e pensativos." (...)

Leo Tolstoi Ana Karenina


BOM ANO!!!!!