Mostrando postagens com marcador momentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador momentos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de junho de 2021

 /pausa/

uma linha de som que atravessa o espaço 

os lábios mexem-se 

os dedos das mãos tocam-se

a cinza cai em cima da mesa limpa

/pausa/

inspirar

expirar

este movimento já começou

não existe nada aqui, apenas a impossibilidade do nada poder ser nada

a linha de som curva-se, diminui, mantém-se suave 

////////// pausa //////////

o corpo volta a sentar-se

está ali parado, não estático

está ali

só ali

só está

só

{apontamento 31.}


quarta-feira, 21 de outubro de 2020

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Volta sempre às mesmas músicas. Como se fossem vitais, a dado momento, para poder continuar. A música exerce um poder imenso em si. A janela está meio aberta para deixar sair o fumo do cigarro, para se conseguir respirar. As plantas estão regadas, os livros arrumados, as almofadas no sítio. Mas não aguenta mais o barulho, um barulho que penetra os seus dias como um raio fulminante e desvia a atenção do que sente ser essencial. Um barulho que constrange o pensamento, que tira o fôlego e enrouquece a voz. 

Levanta-se. Vai a janela. Respira o ar frio da rua. Olha para a rua vazia. Lá ao fundo o sinal de trânsito emite o som positivo de passagem para os peões. Volta a sentar-se, olha à volta. O chão limpo, o tapete varrido, sente o cheiro químico do detergente que limpou o chão.  Tira as meias, sente necessidade de sentir o chão. Sente frio mas deixa-se estar. Tenta decidir algo que não sabe o que é. O chão está limpo, as almofadas no sítio, os livros arrumados, a janela meio aberta para deixar sair o fumo do cigarro, é necessário respirar, o sinal lá fora emite o som positivo de passagem aos peões. O chão está frio, sente-o. Deixa-se estar.

As luzes estão apagadas.

Deixa-se estar.

{apontamento 28.}    

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Meados de Abril. 
Um cigarro que acompanha o som da chuva. 
O sítio, o espaço ficou silencioso. 
Na viagem de comboio que ele fez a meio do dia reparou num casal. 
A intimidade nos olhares, a tentativa de controlar os impulsos dos corpos, a atracção, a ternura. Os lábios beijaram-se, um beijo demorado, um riso nervoso depois do beijo. Os olhares fixos um no outro. Os corpos a pulsar. Uma mão é acariciada suavemente pelos lábios. Os olhos novamente a penetrar por entre um sorriso de desejo. 
Um corpo que se levanta, pega na mala de viagem, beija novamente os lábios, para, olha, sorri e sai. 
Os outros olhos viraram-se para o exterior da janela de comboio até ao final da viagem.
Fim de caminho.
Ele pega nas suas coisas. 
Sai da carruagem.
Fuma um cigarro e caminha até apanhar um táxi.

{apontamento 19.}    

De todos os sons que alguma vez escutou, aquele foi o mais ensurdecedor. Mas o céu estava calmo, as árvores paradas, a terra parecia não mex...