quarta-feira, 6 de maio de 2015

Depois de, cair






































«Depois de, cair» a partir de Amos Oz
TEATRO DA GARAGEM | Taborda
MAIO: 17 - 21H30

Monstruosidade.
Afunilamento da identidade. Desbastamento. Contencioso.
Guerra. Sexo. Poder. Cultura. Beleza. Política. Dinheiro. Geografia. Religião. Moda. Obesidade. O jardim perdido.
Adão. Eva. O primeiro filho. Vai doer como o diabo.

Exaltando figuras sem nome, muitas vezes exteriores no seu próprio pensamento, encontramos a palavra, encontramos o silêncio, encontramos a devastação nos corpos enigmáticos, distorcidos, ansiosos na urgência catastrófica de se provar que existem.
Conjuga-se a visão real contra uma forma de transgressão da própria realidade fanática?
Hoje, o nosso corpo, como contentor, como cadáver emocional, respira por uma necessidade de valorização constante, e acima de tudo, uma actualização enquanto moldura.
Somos a nossa conferência diária. Aquela que não hesita em morder a maçã da cultura pop.

«Depois de, cair» é um flirt, um engate à realidade sócio-cultural, político-filosófica, prece religiosa, sendo o mecanismo económico (o novo Deus) a justificação do desejo da teatralização da subjetividade – e qual a fatalidade que dela surge.
Inspirado no texto Contra o Fanatismo, de Amos Oz, e na hipótese de se rever ainda nas palavras de José Saramago, Hannah Arendt, Angélica Liddell, Peter Handke – entre outros - desenvolve assim uma acção de questões para 3 intérpretes e um músico: figuras distintas, individual e colectivamente, dialogando com a tendência contemporânea do discurso (i)lógico da sociedade destruidora.
Podemos ainda considerar que este espectáculo é a resposta-origem da nossa pesquisa, que começou com «da Inutilidade». Pode ser uma sequela. Contudo, procuramos nesta linha atemporal, neste território de renascimento, o ponto de acção para estas não-vontades medirem o espaço e a força da sua sobrevivência, capacidade e dimensões, encerrando a morte, como prémio máximo do fanatismo.

Criação Tiago Bôto e Wagner Borges
Interpretação Inês Lago, Tiago Bôto e Wagner Borges
Paisagem Sonora Rodrigo Bôto