quarta-feira, 31 de julho de 2013

Do you ever feel that?

"Miss Julia: Perhaps - so you are, if it comes to that. Anyhow, everything´s queer - life, humanity, everything. It´s just scum floating round and round on top of the water - till it finally sinks. There´s a dream I have every now and again, and this reminds me of it. I seem to have climbed to the top of a high pillar, and I sit there not knowing how to get down. If I look down it makes me dizzy, but I know I´ve got to get down somehow. I don´t have the courage to jump. I can´t hold on, though, and I wish I could fall, but I don´t  fall. Yet I know I won´t get any peace or rest till I´m on the ground - right down on the ground. And I know that if I were down, I should want to go deeper and deeper in to the earth. Do you ever feel that?"

August Strindberg - Miss Julia A naturalistc play (1888)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Beyond Queer


Beyond Queer is documentary produced by the Lower East Side Biography Project and is directed by Penny Arcade, Steve Zehentner and Anna Margarita Albelo

Watch it Here

quarta-feira, 10 de julho de 2013

da expansão

Volto novamente
a querer alguma coisa.
Encontro-me
novamente
numa intimidade à qual pertencem os meus pensamentos
mais densos.

Porque aceito

que há coisas
que existem.

Existem numa
qualquer função
mesmo que inanimadas.

Observo

E observando
chamo presenças
que aleatoriamente 
se cruzam entre
mim
e o espectro abrangente
da minha observação.

Rapidamente e naturalmente
tudo se dílui,
perdendo os corpos
o magnetismo
que primeiro os juntou.

Aceita-se não saber
e aceita-se viver
a aceitar não saber.

Porque não se SABE nada.

Quais os factos mais concretos?

Eu não sei nada

E atinge-me a agonia de saber não poder
voltar ao grau zero.

O magnetismo da minha
observação abrangente
volta, sem ter essa intensão,
a reunir olhares que pareciam perdidos,
focados num outro campo de magnetismo
que já não era meu
que da minha presença
parecia que tinham anulado a necessidade.

E então respiro fundo
e cerro o olhar
na vida que me rodeia
e tudo se comprime
e se fecha
num saber mais ou menos ilusório
de que já sabia.

Aborto a expansão
e em seu lugar
instala-se
o nervoso miudinho movimento
do meu corpo
que inicia golfadas de pensamentos
e acelera
provocando-me uma sensação
atroz;
avassaladora
de instabilidade,
onde tudo inicia um acabar demasiado rápido.

E no acabar
vejo uma oportunidade
de me recompor
e de voltar a mim
iniciando-me numa nova 
expansão
que cruza
aleatoriamente
campos magnéticos
inesperados
e que pareciam já perdidos
mas que renascem
e me impulsionam
para um ritmo lento
que sugo até ao tutano
por ser tão longe de mim
tão desesperadamente longe de mim
que me obriga a SER quando
o alcanço

E SOU por momentos


Tiago C. Bôto