sábado, 29 de junho de 2013

Artaud ponto.


Manufactura de PARA ACABAR from Daniel Pinheiro on Vimeo.

Artaud.
Dificuldade na simplicidade.
Uma vez mais:
                     "Don´t explode Be a laser!"
A frase como laser. A intensão correcta. Certa. Simples.
Fulminante.
Não deambular.
Sem hesitação.
Com suspensão.
Suspende e fulmina.
O corpo como canal de força que transborda leveza.
                             "... Be a laser!"
É tarefa difícil sossegá-lo.
Ele quer: SAIR.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um final de frase de Artaud.















Hoje um arrepio de presença. 
Um final de frase de Artaud: "O meu corpo."
Que precisa ser audível. Sonora. Grito abafado.
Como se se quisesse mostrar sem palavras...
Estou aqui!: "O meu corpo."
Sem exclamação, só ponto final. 
Porque ali termina.
No corpo.
Está ali.
Que já é visível, sem grito.
Presente sem consciência, que é necessário tornar consciência presente.
"O meu corpo." "O meu Eu".
E o nada.  

Sopros de vida de Clarice

Voltei hoje a sentir o desepero no corpo, sentado numa cadeira.
Roubo uma frase a Clarice. 
Não roubo. 
Peço emprestada. 
Porque me identifico. Porque me identifica.
Porque não a posso ignorar: "Quero escrever movimento puro" - Diz Clarice antes do início do seu "Sopro de vida (Pulsações)".
Pego-lhe também nas pulsações para as tentar encontrar em mim. 
Não lhe roubo nada.
Nada dela digo que é meu. Só não poderei ignorar e continuar sem assumir que algo se alterou em mim. Algo que é dela manifesta-se nervosamente por entre mim e dentro de mim. E só não a posso ignorar, isso seria uma mentira absurda. 
Se tenho o mar à minha frente enquanto escrevo, ele manifesta-se em mim.
Sou incapaz de o ignorar. 

Tiago C. Bôto