quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sopros de vida de Clarice

Voltei hoje a sentir o desepero no corpo, sentado numa cadeira.
Roubo uma frase a Clarice. 
Não roubo. 
Peço emprestada. 
Porque me identifico. Porque me identifica.
Porque não a posso ignorar: "Quero escrever movimento puro" - Diz Clarice antes do início do seu "Sopro de vida (Pulsações)".
Pego-lhe também nas pulsações para as tentar encontrar em mim. 
Não lhe roubo nada.
Nada dela digo que é meu. Só não poderei ignorar e continuar sem assumir que algo se alterou em mim. Algo que é dela manifesta-se nervosamente por entre mim e dentro de mim. E só não a posso ignorar, isso seria uma mentira absurda. 
Se tenho o mar à minha frente enquanto escrevo, ele manifesta-se em mim.
Sou incapaz de o ignorar. 

Tiago C. Bôto

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