sábado, 14 de dezembro de 2013

Heiner Muller - The Less You See The More You Describe

"Europe, too, will be changed drastically in the near future by the influx from south and east, Europe the fortress is an illusion, and the British are quite right in their instinct to defend themselfs against total integration into Europe. Europe does not offer greater security."
                                                                                                                      Heiner Muller

Excerpt from Heiner Muller´s THE LESS YOU SEE THE MORE YOU DESCRIBE.

domingo, 27 de outubro de 2013

Song of Myself

III

I have heard what the talkers were talking, the talk of the beginning and the end,
But I do not talk of the beginning or the end.

There was never any more inception than there is now,
Nor any more youth or age than there is now,
And will never be any more perfection than there is now,
Nor any more heaven or hell than there is now.

Urge and urge and urge,
Always the procreant urge of the world.

Out of the dimness opposite equals advance, always substance and increase,
                always sex,
Always a knit of identity, always distinction, always a breed of life.

To elaborate is no avail, learn´d and unlearn´d feel that it is so.

Sure as the most certain sure, plumb in the uprights, well entretied, braced in
                 the beams,
Stout as a horse, affectionate, haughty, electrical
I and this mystery here we stand.

Clear and sweet is my soul, and clear and sweet is all that is not my soul.

Lack one lacks both, and the unseen is proved by the seen,
Til that becomes unseen and receives proof in its turn. 

Showing the best and dividing it from the worst age vexes age,
Knowing the perfect fitness and equanimity of things, while they discuss I am
                silent, and go bathe and admire myself.

Welcome is every organ and attribute of me, and of any man hearty and
                 clean,
Not an inch nor a particle of an inch is vile, and none shall be less familiar
                 than the rest.

I am satisfied - I see, dance, laugh, sing;
As the hugging and loving bed-fellow sleeps at my side through the night,
                and withdraws at the peep of the day with stealthy tread,
Leaving me baskets cover´d with white towels swelling the house with their
                 plenty,
Shall I postpone my acceptation and realization and scream at my eyes,
That they turn from gazing after and down the road,
And forthwith cipher and show me to a cent,
Exactly the value of one and exactly the value of tow, and wich is ahead?  

Excerpt of Song of Myself by Wallt Whitman

sábado, 12 de outubro de 2013

Como todos os outros

Alguma coisa terá que sair.
Alguma coisa que agora impede
os fluxos naturais do corpo.
Estou a prender.
A prender a brutalidade do pensamento.
Transformo-o em sentir
afogado no músculo,
na veia que aperta
e desacelera.
Flutuo,
como todos os outros,
como todos nós.

Tiago C. Bôto 2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

(...)"I want the word where it ends and begins."(...)

(...) "Each thing has its word, but the word has become a thing by itself. Why shouldn't I find it? Why can't a tree be called Pluplusch, and Pluplubasch when it has been raining? The word, the word, the word outside your domain, your stuffiness, this laughable impotence, your stupendous smugness, outside all the parrotry of your self-evident limitedness. The word, gentlement, is a public concern of the first importance."

Dada Manifesto (14th July 1916 )
Hugo Ball

domingo, 4 de agosto de 2013

Mas não me tome como um exemplo da maioria.

(...) "Constance ficou a meditar nestas palavras. 
- É verdade, mas nunca tem nada a ver com elas - respondeu.
- Eu? Mas o que estou a fazer neste momento? A falar com a maior das franquezas com uma mulher.
- Sim, falar...
- E que mais poderia eu fazer se você fosse um homem, senão falar consigo com sinceridade?
- Possivelmente mais nada. Mas uma mulher...
- A mulher quer que um homem goste dela e fale com ela, mas, ao mesmo tempo, que a ame e deseje, e parece-me que os dois aspectos se excluem mutuamente.
- Mas não devia ser assim. 
- É verdade que a água não devia ser tão húmida, é um exagero de húmidade. Mas é assim. Gosto das mulheres e falo com elas, mas na verdade não amo nem desejo. As duas coisas não coexistem para mim. 
- Acho que deviam coexistir.
- De acordo. Mas o facto de as coisas deverem ser uma coisa e serem outra é culpa minha.
Constance ficou pensativa.
- Isso não é verdade. Um homem pode amar uma mulher e falar com ela. Não compreendo o amor sem diálogo, sem amizade, sem intimidade. Não lhe parece?
- Bem, não sei, não posso generalizar. Só conheço o meu caso pessoal. Gosto das mulheres mas não as desejo. Gosto de falar com elas, e, embora depois se estabeleça uma intimidade, afasto-me sempre mais. No que respeita a beijarmo-nos, por exemplo. É assim. Mas não me tome como um exemplo da maioria. Provavelmente sou um caso específico, um daqueles homens que gostam de mulheres mas não as amam, e que até as odeiam se os obrigarem a meterem-se numa história de amor ou a simulá-la.
-E isso não o entristece?
- Porquê? De maneira nenhuma. Eu vejo por exemplo Charles May e outros homens que têm aventuras. Não, não os invejo nada. Se o destino me fizesse encontrar uma mulher que eu quisesse, óptimo, mas nunca conheci, nem vi nenhuma. Ora, creio que sou frígido, mas, apesar disso, há mulheres de quem eu gosto.
- Gosta de mim?
- Muito! E, como vê, não nos apete beijarmo-nos, não é verdade?
- Sem dúvida, mas não nos devia apetecer?" (...)

D.H Lawrence, O Amante De Lady Chaterley (1929)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Do you ever feel that?

"Miss Julia: Perhaps - so you are, if it comes to that. Anyhow, everything´s queer - life, humanity, everything. It´s just scum floating round and round on top of the water - till it finally sinks. There´s a dream I have every now and again, and this reminds me of it. I seem to have climbed to the top of a high pillar, and I sit there not knowing how to get down. If I look down it makes me dizzy, but I know I´ve got to get down somehow. I don´t have the courage to jump. I can´t hold on, though, and I wish I could fall, but I don´t  fall. Yet I know I won´t get any peace or rest till I´m on the ground - right down on the ground. And I know that if I were down, I should want to go deeper and deeper in to the earth. Do you ever feel that?"

August Strindberg - Miss Julia A naturalistc play (1888)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Beyond Queer


Beyond Queer is documentary produced by the Lower East Side Biography Project and is directed by Penny Arcade, Steve Zehentner and Anna Margarita Albelo

Watch it Here

quarta-feira, 10 de julho de 2013

da expansão

Volto novamente
a querer alguma coisa.
Encontro-me
novamente
numa intimidade à qual pertencem os meus pensamentos
mais densos.

Porque aceito

que há coisas
que existem.

Existem numa
qualquer função
mesmo que inanimadas.

Observo

E observando
chamo presenças
que aleatoriamente 
se cruzam entre
mim
e o espectro abrangente
da minha observação.

Rapidamente e naturalmente
tudo se dílui,
perdendo os corpos
o magnetismo
que primeiro os juntou.

Aceita-se não saber
e aceita-se viver
a aceitar não saber.

Porque não se SABE nada.

Quais os factos mais concretos?

Eu não sei nada

E atinge-me a agonia de saber não poder
voltar ao grau zero.

O magnetismo da minha
observação abrangente
volta, sem ter essa intensão,
a reunir olhares que pareciam perdidos,
focados num outro campo de magnetismo
que já não era meu
que da minha presença
parecia que tinham anulado a necessidade.

E então respiro fundo
e cerro o olhar
na vida que me rodeia
e tudo se comprime
e se fecha
num saber mais ou menos ilusório
de que já sabia.

Aborto a expansão
e em seu lugar
instala-se
o nervoso miudinho movimento
do meu corpo
que inicia golfadas de pensamentos
e acelera
provocando-me uma sensação
atroz;
avassaladora
de instabilidade,
onde tudo inicia um acabar demasiado rápido.

E no acabar
vejo uma oportunidade
de me recompor
e de voltar a mim
iniciando-me numa nova 
expansão
que cruza
aleatoriamente
campos magnéticos
inesperados
e que pareciam já perdidos
mas que renascem
e me impulsionam
para um ritmo lento
que sugo até ao tutano
por ser tão longe de mim
tão desesperadamente longe de mim
que me obriga a SER quando
o alcanço

E SOU por momentos


Tiago C. Bôto

sábado, 29 de junho de 2013

Artaud ponto.


Manufactura de PARA ACABAR from Daniel Pinheiro on Vimeo.

Artaud.
Dificuldade na simplicidade.
Uma vez mais:
                     "Don´t explode Be a laser!"
A frase como laser. A intensão correcta. Certa. Simples.
Fulminante.
Não deambular.
Sem hesitação.
Com suspensão.
Suspende e fulmina.
O corpo como canal de força que transborda leveza.
                             "... Be a laser!"
É tarefa difícil sossegá-lo.
Ele quer: SAIR.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um final de frase de Artaud.















Hoje um arrepio de presença. 
Um final de frase de Artaud: "O meu corpo."
Que precisa ser audível. Sonora. Grito abafado.
Como se se quisesse mostrar sem palavras...
Estou aqui!: "O meu corpo."
Sem exclamação, só ponto final. 
Porque ali termina.
No corpo.
Está ali.
Que já é visível, sem grito.
Presente sem consciência, que é necessário tornar consciência presente.
"O meu corpo." "O meu Eu".
E o nada.  

Sopros de vida de Clarice

Voltei hoje a sentir o desepero no corpo, sentado numa cadeira.
Roubo uma frase a Clarice. 
Não roubo. 
Peço emprestada. 
Porque me identifico. Porque me identifica.
Porque não a posso ignorar: "Quero escrever movimento puro" - Diz Clarice antes do início do seu "Sopro de vida (Pulsações)".
Pego-lhe também nas pulsações para as tentar encontrar em mim. 
Não lhe roubo nada.
Nada dela digo que é meu. Só não poderei ignorar e continuar sem assumir que algo se alterou em mim. Algo que é dela manifesta-se nervosamente por entre mim e dentro de mim. E só não a posso ignorar, isso seria uma mentira absurda. 
Se tenho o mar à minha frente enquanto escrevo, ele manifesta-se em mim.
Sou incapaz de o ignorar. 

Tiago C. Bôto

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Duras...

"Ele olha-a. Com os olhos fechados ainda a olha. Respira o rosto dela. Respira a menina, de olhos fechados respira a sua respiração, esse ar quente que sai dela. Discerne cada vez menos claramente os limites desse corpo, aquele não é como os outros, não está acabado, cresce ainda no quarto, não tem ainda formas definidas, faz-se a cada momento, não está apenas ali onde ele o vê, também está algures, estende-se para lá da vista, para o jogo, a morte, é elástico, parte inteiro para o gozo como se fosse grande, em idade, sem malícia, duma inteligência assustadora."

Marguerite Duras: O amante

The Next Day

terça-feira, 30 de abril de 2013

Nina Simone: To be free

Nina Simone: To Be Free

"Everybody is half dead. Everybody avoids everybody. All over the place, in most situations, most all the time. I know, I'm one of those everybodies, and to me it is terrible. And so all I'm trying to do all the time is just open people up so they can feel themselves and let themselves be open to somebody else. That is all. That's it."

"I always thought I was shaking people up, but now I want to go at it more, and I want to go at it more deliberately, and I want to go at it coldly. I want to shake people up so bad that when they leave a nightclub where I performed, I just want them to be to pieces."

"I want to go into that den of those elegant people with their old ideas, smugness, and just drive them insane."

"When I'm calm and cool and really got the antenna working, you know when to push and you know when to not. Nobody can tell you though, you have to feel it. In any situation between human beings. It's what makes a groove."

"What's free to me? It's just a feeling. It's just a feeling. It's like how do you tell somebody how it feels to be in love? How are you going to tell anybody who has not been in love how it feels to be in love? You cannot do it to save your life. You can describe things, but you can't tell them. But you know it when it happens. That's what I mean by free. I've had a couple times on stage when I really felt free and that's something else. That's really something else! I'll tell you what freedom is to me: NO FEAR! I mean really, no fear. If I could have that half of my life. No fear! Lots of children have no fear. That's the only way I can describe it. That's not all of it, but it something to really, really feel. Like a new way of seeing. Like a new way of seeing something."

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Não somos Césares!

"A disciplina Augusta tem o dever de participar na humanidade do século.
Somos funcionários do Estado, não somos Césares. Tinha razão aquela queixosa, que eu me recusei um dia a escutar até ao fim, quando gritou que se me faltava o tempo para a ouvir me faltava o tempo para reinar."

Memórias de Adriano de Marguerite Youcenar.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Richard Blanco Inaugural Poem

"One today"

One sun rose on us today, kindled over our shores,
peeking over the Smokies, greeting the faces
of the Great Lakes, spreading a simple truth
across the Great Plains, then charging across the Rockies.
One light, waking up rooftops, under each one, a story
told by our silent gestures moving behind windows.

My face, your face, millions of faces in morning's mirrors,
each one yawning to life, crescendoing into our day:
pencil-yellow school buses, the rhythm of traffic lights,
fruit stands: apples, limes, and oranges arrayed like rainbows
begging our praise. Silver trucks heavy with oil or paper—
bricks or milk, teeming over highways alongside us,
on our way to clean tables, read ledgers, or save lives—
to teach geometry, or ring-up groceries as my mother did
for twenty years, so I could write this poem.

All of us as vital as the one light we move through,
the same light on blackboards with lessons for the day:
equations to solve, history to question, or atoms imagined,
the "I have a dream" we keep dreaming,
or the impossible vocabulary of sorrow that won't explain
the empty desks of twenty children marked absent
today, and forever. Many prayers, but one light
breathing color into stained glass windows,
life into the faces of bronze statues, warmth
onto the steps of our museums and park benches
as mothers watch children slide into the day.

One ground. Our ground, rooting us to every stalk
of corn, every head of wheat sown by sweat
and hands, hands gleaning coal or planting windmills
in deserts and hilltops that keep us warm, hands
digging trenches, routing pipes and cables, hands
as worn as my father's cutting sugarcane
so my brother and I could have books and shoes.

The dust of farms and deserts, cities and plains
mingled by one wind—our breath. Breathe. Hear it
through the day's gorgeous din of honking cabs,
buses launching down avenues, the symphony
of footsteps, guitars, and screeching subways,
the unexpected song bird on your clothes line.

Hear: squeaky playground swings, trains whistling,
or whispers across café tables, Hear: the doors we open
for each other all day, saying: hello, shalom,
buon giorno, howdy, namaste, or buenos días
in the language my mother taught me—in every language
spoken into one wind carrying our lives
without prejudice, as these words break from my lips.

One sky: since the Appalachians and Sierras claimed
their majesty, and the Mississippi and Colorado worked
their way to the sea. Thank the work of our hands:
weaving steel into bridges, finishing one more report
for the boss on time, stitching another wound
or uniform, the first brush stroke on a portrait,
or the last floor on the Freedom Tower
jutting into a sky that yields to our resilience.

One sky, toward which we sometimes lift our eyes
tired from work: some days guessing at the weather
of our lives, some days giving thanks for a love
that loves you back, sometimes praising a mother
who knew how to give, or forgiving a father
who couldn't give what you wanted.

We head home: through the gloss of rain or weight
of snow, or the plum blush of dusk, but always—home,
always under one sky, our sky. And always one moon
like a silent drum tapping on every rooftop
and every window, of one country—all of us—
facing the stars
hope—a new constellation
waiting for us to map it,
waiting for us to name it—together.