segunda-feira, 8 de março de 2010

O Paradigma Perdido

"Desde a nascença, todo o indivíduo começa a receber a herança cultural, que assegura a sua formação, a sua orientação, o seu desenvolvimento de ser social. A herança cultural não vem unicamente sobrepor-se à hereditariedade genética. Combina-se com esta. Determina estimulações e inibições que contribuem para cada ontogénese individual e modulam a expresão genética no fenótipo humano. Desta maneira, cada cultura, por meio dos seus «imprintings» precoses, dos seus tabus, dos seus imperativos, do seu sistema de educação, do seu regime alimentar, dos talentos que requer para as suas práticas, dos seus modelos de comportamento no ecossistema, na sociedade, entre indivíduos, etc, reprime, inibe, favorece, sobredetermina, a actualização de tal ou tal aptidão, de tal traço psocológico-afectivo, exerce as suas pressões multifromes sobre o conjunto do funcionamento cerebral, exerce até efeitos endócrinos próprios, e, deste modo, intervém para coorganizar e controlar o conjunto da personalidade. (...)
De facto, a combinação entre a hereditariedade genética e a hrança cultural opera-se de forma simultaneamente complementar, concorrente e antagónica, e tende por isso mesmo a criar uma nova complexidade individual, introduzindo em cada individuo uma dualidade mais ou menos bem integrada entre a sua personalidade social - a sua «personagem» - e a sua pessoa subjectiva, mas ao mesmo tempo o «modelo» cultural, o tipo ideal de personalidade, tende a reduzir a variedade individual, e sobretudo os efeitos sociais dessa variedade, e, nesse sentido, inibe as possibilidades de complexificação."
Edgar Morin

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