segunda-feira, 8 de março de 2010

Cosmos

"Comemos bagas e raízes. Nozes e folhas. E animais mortos. Uns animais apanhamo-los, outros matamo-los. Sabemos quais os elementos que são bons e quais os que são perigosos. Se provamos certas coisas, caímos redondos. É o castigo por as comermos. Não foi por mal que as comemos. Mas a dedaleira e a cicuta são mortais. Amamos os nossos filhos e os nossos amigos. E aconselhamo-los a não comerem tais coisas.
Quando caçamos animais, também podemos morrer. Eles podem escornear-nos, ou esmagar-nos, ou comer-nos. O que os animais fazem significa para nós a vida ou a morte: a forma como se comportam, as pegadas que deixam, as épocas de acasalamento e de parto, as épocas de migração. Temos de saber essas coisas. E dizemo-las aos nossos filhos. Que por sua vez as dirão aos filhos deles.
Dependemos dos animais. Seguimo-los especialmente no inverno, quando há poucas plantas para comer. Somos caçadores e ceifeiros nómadas. Consideramo-nos um povo caçador. (...) Nós caçamos e comemos os animais. Eles caçam-nos e comem-nos. Fazemos parte uns dos outros. (...)
Se comermos tudo muito depressa, alguns de nós passarão fome mais tarde." (...)

Carl Sagan

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