quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Juliane Snapper - You who will emerge from the floor






You Who Will Emerge From The Flood… (An Underwater Operella) JULIANA SNAPPER
22h00 -
Clube Fluvial Portuense (Piscinas)

Concerto-performance

5,00 €/ Festival Trama dia 10 Outubro

Juliana Snapper viveu desde a infância embrenhada nas teias do meio da ópera. A mãe desta artista norte-americana era cantora de ópera, o que acabou por levar a que Juliana iniciasse os seus estudos vocais muito cedo e também a um contacto próximo com toda a engrenagem da indústria que sustenta o universo da ópera tradicional. A rebelião da jovem cantora contra o conservatório e as formas tradicionais da ópera, limitadas nas suas possibilidades exploratórias pela estrutura rígida e o mercado cultural, teve início quando ainda estudava no Conservatório de Oberlin, Califórnia, e veio alavancar a dedicação de Juliana Snapper a um trabalho de reflexão e experimentação sobre a natureza da voz humana e sobre as possibilidades físicas e expressivas do corpo que canta, tendo a voz operática como centro desta investigação e prática artísticas. “Estou a tentar encontrar formas de fazer o meu instrumento funcionar de maneira diferente, formas de mudar a relação entre mim e o meu instrumento, e de fazer sons diferentes com ele”, afirma Snapper, que descreve o seu estilo como “ópera radical”.Ao longo do seu percurso artístico, Juliana Snapper tem vindo a explorar situações extremas, como a associação ao performer Ron Athey na peça Judas Craddle, em que cantava pendurada de cabeça para baixo até à sua voz entrar em colapso. Várias das suas colaborações recentes jogam com a sobreposição de motivos relacionados com o virtuosismo e a monstruosidade, combinando a elasticidade das vocalizações com o processamento electrónico, a performance ao vivo e a vídeo-performance. A solo e em colaboração, Snapper associa as novas técnicas vocais, de composição e improvisação a formatos e dinâmicas intermedia, resultando em trabalhos que “se situam desconfortavelmente entre disciplinas”.You Who Will Emerge From The Flood… procede desta linha de trabalho em que Juliana Snapper explora os limites da tecnologia da voz. Este projecto de ópera realizado debaixo de água, adaptável a lugares tão diferentes como uma banheira, um tanque, uma piscina ou uma gruta no mar, é o primeiro trabalho onde alguém canta directamente para a água. Juliana Snapper explica: “Cantar ópera é algo de muito físico. O que eu estou a fazer necessita da intensidade e exactidão do canto operático – seria difícil cantar ‘country’ debaixo de água por exemplo. O canto operático é um fluxo firme de sons que se vai tornando mais e mais poderoso. O que eu faço é uma mutação da ópera – levando-a mais longe.”Durante um período de workshops experimentais no Aksioma Institute of Contemporary Art e no PS1/Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, desenvolveu técnicas que permitem maximizar a condução sonora óssea e controlar a saída de bolhas de ar para as integrar no seu aparelho vocal. Em You Who Will Emerge From The Flood… Snapper fundiu estas novas técnicas vocais com figuras barrocas que representam o desejo e a paixão humanas como aspectos das condições meteorológicas, sondando a nossa relação incerta com a água em momentos de crise e sobrecarga emocional. Sons pré-gravados de bolsas de bolhas de ar oceânicas e cantos de pássaros vibram acima da água enquanto a voz de Snapper (amplificada por microfones à prova de água) força o seu lugar neste manto sonoro. A paisagem sonora é ainda engrandecida no final da performance com a participação de um coro local (que no Trama será constituído por membros do Ensemble Vocal Pro Música) que contribui com as diferentes texturas da interacção vocal dos seus membros, em parte escritas e em parte improvisadas.No trabalho de Juliana Snapper podemos encontrar uma linha que descende das explorações vocais que desempenharam um papel central na evolução das novas músicas durante a segunda metade do século XX: o desbravar do ‘grão da voz’, do significante enigmático que subsiste à veiculação de um discurso ou de um objecto musical idealizado para uma apreciação estética; a exploração daquilo que está para além linguagem verbal ou musical, e que se liga de forma misteriosa ao corpo que canta.Desde 2004, Juliana Snapper tem apresentado o seu trabalho em instituições como o PS1/MoMA e Guggenheim Museum em Nova Iorque, ou o Armand Hammer Museum em Los Angeles. Os seus projectos foram apoiados por bolsas e subsídios da Metropolitan Opera Foundation, Bristish Arts Council, Center for Research in Computing in the Arts e Durfee Foundation. Realizou performances em numerosos festivais internacionais, entre os quais City of Women (Liubliana), Performa 05 (Nova Iorque), Ojai Music Festival (Ojai, California), Fierce! Festival (Birmingham, RU), e Sounds French (Nova Iorque). Actualmente, encontra-se a completar o doutoramento em musicologia pela Universidade da Califórnia, San Diego.


You Who Will Emerge From The Flood…

Concepção e interpretação: Juliana Snapper e Andrew Infanti

Vídeo e animação: Paula Cronan

Vídeo adicional: Lamby Morreale

Figurinos: Susan Matheson

Cenografia: Frederick “Trip” Bennett

Coro: Ensemble Vocal Pro Música




Apareçam vou estar lá a participar.

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