sexta-feira, 3 de julho de 2009

Se isto é um
que será dois?
Não é só um mais um
Às vezes é dois
e não deixa de ser um.
Como às vezes um
também não deixa de ser dois.
Não são claras as contas da realidade
ou pelo menos não o é
a nossa leitura dos seus resultados.
Assim nos escapa
o que há entre um e um,
escapa-nos o que há
simplesmente no um,
escapa-nos
o que há em menos um,
escapa-nos o zero
que circunvala ou acompanha sempre
o um e o dois.
A rosa, é uma?
O amor, é dois?
O poema, é nenhum?

Roberto Juarroz, em Poesia Vertical, Campo das Letras, Porto (1998)Tradução de Arnaldo Saraiva

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