segunda-feira, 7 de abril de 2008

Raimund Hoghe

Como escolhe as músicas para as peças?

R - Depende, mas são sempre músicas com as quais os músicos sentem afinidade. na peça "Young people, Old voices" pus uma música a tocar durante os ensaios com a qual os bailarinos não se identificavam, não conseguimos nada a partir dela. Tive que optar por outra e aí sim aconteceu algo. Não conseguimos descrevê-lo por palavras, tenho que encontrar a música certa e aí então acontece aquilo que referiu, a emoção, porque o moimento está relacionado com a música.

Em palco apresenta-se vestido de preto, age de forma muito neutra e não demonstra emoções. Um pouco contraditório se virmos as cenas emotivas que coreografa. Que significado tem a sua postura?

R - Não sou um actor, e gosto bastante de cinema mudo. Os movimentos e as emoções bastam por si só, não tenho que expressá-las no meu rosto. Elas estão lá, não tenho que reforçá-las. Já há expressão suficiente no movimento. Refiro sempre Maria Callas, ela tinha movimentos muito raros, fazia movimentos muito reduzidos. Na minha peça "Swan Lake4 acts" apresento os bailarinos, eles ficam de frente para a plateia durante três minutos antes de começarem a mover-se, há um grande desejo de movimento neles e os movimentos que fazem só com a cabeça têm muita força. É isto que me interessa.

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