terça-feira, 16 de outubro de 2007

Brel




PALAVRAS RECICLADAS

Sonho do sono

Abram-se as janelas de par em par,
me cegue os olhos esta sombra,
a sombra da azáfama

Um Deus, para fazer, ao qual bastam apenas
o que foi Tróia e o que foi meu cão.
Este é o tempo,
Eu vos bendigo!
Se o destino cruel não me consente

Do pináculo formoso
Não cometera o moço miserando,
madrugada de prata sobre campos.

Decantarei teu rosto,
disse-me o meu destino a chorar
Estou à espera
Como eu desejo aquele que vai ali na rua.

Não tiraram o doce sono as lembranças
porque me levanto quando os outros dormem?
Do amor se faz amor,
pedaços de fantasia,
onde as montanhas, tamanhas manhãs,
descobrem o fundo nunca descoberto.

Que mantimentos levas,
quando um anjo se decidir a resplandecer
e a verdade for mentira?


Reciclagem

Sonho do sono

Abram-se as janelas de par em par
Me cegue os olhos a sombra da azáfama.

A um deus basta
o que foi Tróia e o que foi meu cão.

Estou à espera,
decantarei teu rosto.

Não tiraram o doce sono as lembranças,
pedaços de fantasia
descobrem o fundo nunca descoberto.

Que mantimentos levas
quando um anjo decidir resplandecer
e a verdade for mentira?

sábado, 13 de outubro de 2007

Ser Gente

Toda a gente é alguma coisa hoje em dia. MUdamos aqui, mudamos ali, mas conseguimos sempre rotular-nos em alguma categoria do producto "Ser Humano". -"Eu sou isto, eu sou aquilo", -"Eu gosto dito, eu gosto daquilo", - "Eu sou adepto disto, sou adepto daquilo!". Com certeza alguma coisa seremos, com certeza que de alguma coisa gostamos. Mas será que quando nos deparamos realmente com os nossos rótulos os conseguimos viver como reais adeptos? Serão por vezes esses rótulos visões utópicas daquilo que um dia gostariamos de ser? Aquilo que somos vivêmo-o realmente sem pensar. Apenas´"É", e apenas é vivido.
Mas claro algumas certezas temos, disso temos que ter quase a certeza. Sim porque todos temos medo do vazio. Todos temos medo do nada. Todos tentamos ser sempre alguma coisa e melhor ainda se conseguirmos ser imensas coisas.
E se um dia alguém disser que não é nada? Com certeza todos vão sentir pena. É bom haver certezas, como é bom esbarrar nelas com alguma incerteza.
Conversa de merda, no final somos todos a mesma coisa, dormimos, comemos, mijamos, cagamos, fodemos, mas claro cada um com as suas incertas certezas.